sexta-feira, 20 de novembro de 2015

claudio renato borges

Mercado de trabalho tem pior outubro desde 1992 e fecha 169 mil vagas

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O Brasil perdeu 818.918 empregos com carteira assinada no período de janeiro a outubro deste ano, em reação ao aprofundamento da recessão na economia.
Essa é a primeira vez que o saldo entre as contratações e as demissões foi negativo para o acumulado de dez primeiros meses do ano desde 2002, início da série histórica desses dados disponibilizada pelo Ministério do Trabalho.
As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (20), a partir do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que leva em consideração dados das empresas que atuam no mercado formal de trabalho.
Do total de vagas fechadas no acumulado de janeiro a outubro, 41% foram na indústria de transformação (-336.437). Em seguida, aparecem a construção civil e o comércio como setores em que houve maior fechamento de vagas.
"Apesar das 818 mil vagas fechadas no período, o Brasil emprega 40 milhões de pessoas com carteira assinada. Esse estoque ocupa a terceira melhor posição no ranking desde 2002, mesmo com a diminuição de 169 mil vagas no mês", diz Márcio Borges, diretor do Departamento de Emprego e Salário, do ministério.
PIOR OUTUBRO
Em outubro, sétimo mês consecutivo em que as demissões superaram as contratações, foram eliminadas 169.131 vagas com carteira assinada. O resultado também é o pior para o mês de outubro desde 1992. Em setembro
De acordo com os dados do Caged, todos os oito setores analisados fecharam vagas no mês passado. O da construção civil foi o responsável pelo maior corte de empregos (-49.830). Na sequência, aparecem a indústria de transformação (-48.444), o setor de serviços (-46.246) e agricultura (-16.958).
Os setores em que as quedas no emprego foram menores são: administração pública (-569), serviços industriais de utilidade pública (-1410), extrativa mineral (-1.413) e comércio (-4.261).
Das 26 Estados e Distrito Federal, houve criação de vagas em somente quatro –Alagoas (6.456), Sergipe (1.063), Tocantins (47) e Mato Grosso do Sul (41).
"Em Alagoas e Sergipe, a geração de empregos está diretamente relacionada à produção de cana e do subsetor de produtos alimentícios, que na indústria de transformação foi o único com resultado positivo na criação de vagas. Nos outros 11 segmentos da indústria houve perda de postos de trabalho em outubro", disse Borges. 

terça-feira, 17 de novembro de 2015

claudio renato borges

Massacre: tiroteios e explosões deixam mais de 120 mortos na França

Do UOL, em São Paulo
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Atentados em casa de shows, estádio e outros locais de Paris78 fotos

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13.nov.2015 - Espectadores do amistoso entre França e Alemanha, realizado no Stade de France, em Paris, se abraçam após explosões que deixaram três mortos em um portão do estádio. O presidente francês, François Hollande, também estava presente na partida e foi removido às pressas, enquanto outros ataques deixaram dezenas de mortos na capital francesa, mais de 100 na casa de espetáculos Bataclan Leia mais Christophe Ena/AP
Uma série de atentados possivelmente coordenados atingiram Paris na noite desta sexta-feira (13). De acordo com a Procuradoria de Paris, há mais de 120 mortos, cerca de 200 feridos, sendo 80 em estado grave. Todos os ataques foram em locais de grande concentração de pessoas: bares, restaurantes, uma casa de shows e o estádio nacional Stade de France. Acompanhe a cobertura em tempo real
Oito terroristas foram mortos, sendo que sete teriam detonado cinturões com explosivos antes de serem atingidos pela polícia, informou a agência de notícias francesa AFP. Nenhum grupo reivindicou, até a madrugada de sábado, a autoria dos ataques.
O presidente da França, François Hollande, decretou situação de emergência no país e fechou as fronteiras. "É um ataque sem precedentes", classificou. 
Os ataques são os mais mortais dos últimos 40 anos na Europa ao lado dos atentados lançados em 11 de março de 2004, em Madri.

Seis ataques em poucas horas

Entre as 21h15 e 21h20 no horário local (18h15 horário de Brasília), terroristas explodiram ao menos duas bombas nas proximidades do Stade de France, em Saint-Denis, onde o presidente francês, François Hollande, e mais 80 mil pessoas acompanhavam uma partida de futebol entre França e Alemanha. A partida continuou até o fim, mas houve pânico no meio da multidão devido aos rumores sobre os ataques, e torcedores permaneceram no estádio, sendo que alguns desceram ao gramado de forma espontânea. Todos os ataques aconteceram entre 21h20 e 22h30, no horário local. 
Praticamente no mesmo horário, terroristas atiravam contra os espectadores de um show da banda Eagles of the Death Metalna casa de espetáculos Bataclan. A casa abrigava ao menos 1.500 pessoas, mas grande parte teria conseguido fugir pela saída de emergência quando os terroristas atiravam com metralhadoras AK-47 contra a plateia. Ao menos 100 pessoas morreram na casa de shows, e três dos terroristas teriam explodido seus cinturões quando a polícia invadiu o local. 
Um restaurante cambojano, na rua Alibert, no 10º distrito da capital francesa, também foi atacado a tiros. No local, estavam dois brasileiros, que foram atingidos pelos disparos. Catorze pessoas teriam morrido neste ataque, segundo o jornal L´Observateur.
O restaurante La Belle Equipe, na rua de Charonne, também foi atingido por disparos, vitimando 18 pessoas, segundo as autoridades. Outros disparos aconteceram na Rue de La Fontaine (próximo à praça République) e Boulevard Voltaire. Cinco pessoas teriam sido vitimadas em uma pizzaria que fica na Rue de La Fontaine e uma pessoa morreu no ataque do Boulevard Voltaire, segundo o jornal L´Observateur.
As informações oficiais ainda apontam para 120 mortos, entretanto.
Autoridades pediram que os cidadãos de Paris permaneçam em suas casas durante a madrugada deste sábado (14). A prefeitura de Paris decretou luto e determinou o fechamento de diversos equipamentos públicos a partir deste sábado, como, escolas, museus, bibliotecas, ginásios, piscinas públicas e mercados alimentícios. O governo pediu, ainda, o cancelamento de todas as manifestações e o fechamento das câmaras municipais de distritos - apenas os casamentos e serviços civis foram mantidos.

Brasileiros feridos

Dois brasileiros foram feridos nos ataques desta noite em Paris, disse à BBC Brasil a cônsul-geral do Brasil na França, Maria Edileuza Fontenele Reis. Eles estavam no restaurante Le Petit Cambodge, nas proximidades do Canal Saint-Martin, no 10° distrito da capital, um dos locais onde ocorreram tiroteios que deixaram dezenas de mortos e feridos em estado grave.
Um dos brasileiros feridos tomou três tiros nas costas e seu estado é bem grave, segundo a cônsul-geral. Ele está sendo operado. Ele é um arquiteto que está de passagem por Paris para eventos profissionais, segundo ela. Não há informações atualizadas sobre seu estado de saúde.

Alerta máximo

Os tiroteios reacendem o clima de terror instaurado na cidade em janeiro deste ano, quando dois homens armados invadiram a sede do jornal satírico "Charlie Hebdo" e mataram 12 pessoas. Outro ataque, também em janeiro, a um supermercado kosher elevou para 18 o número de mortos nos atentados de janeiro. 
Hollande cancelou os planos de viajar para a Turquia no fim de semana para participar da cúpula do G20, grupo formado pelas principais economias do mundo. Ele convocou uma reunião de emergência do seu conselho de segurança nacional para sábado de manhã.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, lideraram um coro mundial de solidariedade à França, e o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, condenou os "ataques desprezíveis".

Estado Islâmico

Também na sexta-feira (13), os EUA teriam matado em um ataque com drones na Síria o britânico Mohammed Emwazi, conhecido como "Jihadi John", que apareceu em vários vídeos de decapitações do Estado Islâmico.
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que caso as forças norte-americanas tenham obtido sucesso na tentativa de matar o militante, seria um ataque ao coração do Estado Islâmico, o que pode ter, de alguma maneira, enfurecido o grupo.
Quatro dias atrás, caças franceses destruíram um centro de distribuição de petróleo do Estado Islâmico na Síria, perto da cidade de Deir Ezzor. Para analistas, os ataques terroristas em Paris nesta sexta-feira podem ser retaliação de extremistas islâmicos contra os bombardeios franceses na Síria. (Com agências internacionais)

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

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Governo de Minas embarga licença da Samarco em Mariana

De Belo Horizonte
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  • Antonio Cruz/Agência Brasil
    Equipes trabalham na busca de vítimas dias após o rompimento de duas barragens da mineradora Samarco, em Bento Rodrigues, Mariana (MG)
    Equipes trabalham na busca de vítimas dias após o rompimento de duas barragens da mineradora Samarco, em Bento Rodrigues, Mariana (MG)
A Samarco não pode mais extrair ou processar minério de ferro na mina de Germano, em Mariana (MG). Segundo o subsecretário de Estado de Regularização Ambiental, Geraldo Abreu, o governo embargou a licença de operação da unidade.
Na quinta-feira (5), as barragens de Fundão e Santarém, que pertenciam à mina e recebiam rejeitos de minério de ferro, romperam-se e inundaram de lama o distrito de Bento Rodrigues. Até o início desta segunda-feira (9),foram confirmadas duas mortes e 25 desaparecidos.
Ainda segundo o subsecretário, a Samarco só voltará a operar na região depois de cumprir exigências de segurança feitas pelo Estado. "É preciso realizar as correções necessárias para que o funcionamento da mina seja retomado", afirmou Abreu.
Não há prazo para que isso aconteça. Uma das medidas a serem adotadas pela empresa, conforme Abreu, é o término do bombeamento do minério de ferro que se encontra dentro do mineroduto da empresa que liga Mariana ao Espírito Santo. O Complexo de Germano tem reservas estimadas em 400 milhões de toneladas de minério de ferro. Hoje, são retirados anualmente da mina cerca de 10 milhões de toneladas por ano.
O embargo da licença aconteceu na sexta-feira (6). No mesmo dia, o promotor Carlos Eduardo Ferreira Pinto, coordenador de Meio Ambiente do Ministério Público de Minas Gerais, anunciou que pediria nesta segunda-feira o fechamento da mina. A promotoria do Estado abriu inquérito civil público para investigar a queda das duas barragens.
Segundo Ferreira Pinto, existe a suspeita de irregularidades em obras que estariam sendo feitas nas barragens para ampliação da capacidade de armazenamento de rejeitos.

Auxílio às famílias desabrigadas

O Ministério Público Estadual determinou nesta segunda que a empresa Samarco, responsável pelas barragens que romperam no município de Mariana (MG), comece a pagar auxílio de um salário mínimo para cada família desabrigada por causa do acidente, independentemente de qualquer outra indenização que a empresa tenha de arcar no fim dos processos sobre o caso.
O MPE também deu prazo de cinco dias para a empresa apresentar um plano de recuperação às pessoas atingidas pela tragédia. A assessoria de imprensa da Samarco diz que uma nota está sendo redigida sobre o assunto, que será distribuída mais tarde.

DRONE SOBREVOA BENTO RODRIGUES (MG) E REGISTRA CENÁRIO DE DESTRUIÇÃO

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

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Parte do dinheiro no exterior é fruto de venda de carne enlatada, diz Cunha

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  • Reprodução
São Paulo - Acusado pela Procuradoria Geral da República de ter recebido pelo menos US$ 5 milhões em propina do esquema de corrupção na Petrobras, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), vai alegar em sua defesa no Conselho de Ética da Casa que desconhecia a origem do depósito de 1,3 milhão de francos suíços feitos em 2011 em um fundo do deputado na Suíça e que todo o dinheiro que tem fora do País é fruto de venda de carne enlatada para a África e de operações no mercado financeiro.
Ele dirá, pelo que apurou a reportagem, que "não reconhece" como seu o montante depositado "à sua revelia" em 2011 pelo lobista João Henriques, que era ligado ao PMDB e foi preso na Operação Lava Jato.
O deputado suspeita, porém, que o depósito seria o pagamento de um empréstimo feito por ele ao ex-deputado Fernando Diniz, do PMDB, que morreu em 2009.
Em depoimento à Polícia Federal, Henriques disse que enviou o dinheiro a pedido do economista Felipe Diniz, filho do ex-deputado, e que não sabia quem era o beneficiário.
Em 2007, primeiro ano do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, Cunha e Diniz eram muito amigos e integravam o núcleo duro do PMDB na Câmara. Nesse período, Diniz teria perdido muito dinheiro em negócios fora do País e por isso pediu ajuda. Cunha fez então um empréstimo de US$ 1,5 milhão para o colega. A dívida teria, segundo o deputado, "morrido junto com Diniz".

Mascate

A principal linha de defesa de Cunha será que ele nunca recebeu dinheiro público. O deputado reconhecerá, entretanto, que não declarou todos os seus recursos. A estratégia de sua defesa consistirá em afirmar que todo o recurso no exterior é fruto de atividade de comércio exterior e operações financeiras feitas nos anos 80.
Antes de entrar na vida pública no começo dos ano 90, quando assumiu o comando da Telerj, Cunha descobriu um filão de mercado: a venda de carne enlatada em consignação para países africanos. Como o negócio cresceu, ele decidiu, segundo sua defesa, abrir uma conta fora do Brasil.
Além da atividade de "mascate", o deputado afirma que amealhou a parte maior do seu patrimônio no mercado de capitais com "operações de inteligência" que sempre teve "mão boa" para negociar ativos.
Para escapar da cassação de seu mandato no Conselho de Ética da Câmara por falta de decoro parlamentar por ter supostamente mentido durante depoimento na CPI da Petrobras em março, quando afirmou que não tinha recursos depositados naquele país ou em algum paraíso fiscal, o presidente da Câmara afirmará que possui dois Trust, e não contas correntes na Suíça.
O Trust consiste na entrega de um bem ou um valor a uma instituição (fiduciário) para que seja administrado em favor do depositante ou de outra pessoa por ele indicada (beneficiário). Estas estruturas é usada para proteger o patrimônio de seus beneficiários contra problemas em seus países de origem.
O deputado abriu dois fundos dessa modalidade. Um deles foi montado em 2008 pensando em negócios futuros. A ideia era montar uma estrutura para trabalhar no mercado internacional depois que ele deixasse a política.
A reportagem apurou que, segundo Cunha, isso ficou parado de 2008 até 2014, "com US$ 200 ou US$ 1000 dólares". O outro fundo era usado para as despesas da família.
O deputado afirma que não houve depósito, só saída e rendimento de aplicações.

Benin

O deputado nega que os recursos atribuídos a ele tenham circulados por ao menos 23 contas bancárias em 4 países como forma de ocultar a origem, como indica a investigação feita pelo Ministério Público da Suíça.
Segundo o órgão do país europeu, os ativos transitaram por bancos em Cingapura, Suíça, Estados Unidos e Benin. Como prova de que estaria falando a verdade, o deputado se diz disposto a mostrar todos passaportes para provar que nunca esteve no Benin.
O presidente da Câmara também nega que seus familiares tenham gastado US$ 59,7 mil com cursos de tênis em uma academia dos Estados Unidos. O dinheiro teria, na verdade, sido usado para pagar a escola e alojamento de um dos seus filhos no país.